Brasília, 26 / 09 / 2017


Análise sobre o declínio da taxa de poupança japonesa e seu impacto na economia do Japão

O Consulado-Geral do Brasil em Tóquio apresentou, em 10/04/2015, análise sobre o declínio da taxa de poupança japonesa e seu impacto na economia daquele país asiático:

"Mídia japonesa tem destacado, nos últimos dias, a declinante taxa de poupança interna registrada no Japão como um dos aspectos limitadores da recuperação econômica do país, não obstante o estímulo promovido pela "Abenomics". O baixo índice de poupança afeta os níveis de consumo no país, com implicação negativa sobre a almejada recuperação do crescimento econômico.

2. Embora o Japão ainda possua elevada poupança, concentrada em grande parte nas mãos dos grandes conglomerados, tem-se observado que os cidadãos estão consumindo tanto ou mais do que recebem, resultando no crescimento do número dos chamados "poupadores nulos" ou "zero savers". O estímulo econômico, focado no incentivo ao consumo, não resultou em aumentos salariais abrangentes, que ficaram restritos a algumas companhias (vide Tel 180) e a profissionais em carreiras de tempo integral e de longo prazo, cada vez mais raras no país.
A baixa poupança ameaça também o já sufocado sistema de pensão nacional, uma vez que os indivíduos cada vez mais contam com a pensão pública para viver.

3. Fontes locais argumentam que o problema está, em parte, no fato de que o estímulo econômico e a desvalorização do iene beneficiaram em maior medida as grandes empresas exportadoras, não havendo incentivos a maiores investimentos por parte da indústria. A situação gera limitado impacto no mercado de trabalho, uma vez que não há criação de novos postos em carreiras sólidas, favorecendo a informalidade na economia.

4. Com o aumento dos empregos temporários, tem-se reportado na imprensa a difícil situação trabalhista dos que são chamados trabalhadores descartáveis ("disposable workers"), aqueles que podem ser facilmente demitidos e que não dispõem de rede de proteção social. O fato atinge em especial trabalhadores com idades avançadas, mas cada vez mais afeta também os jovens.

5. Uma vez que significante proporção da comunidade brasileira encontra-se em situação semelhante, isto é, em empregos em sua maioria terceirizados via empreiteiras, e distantes das chamadas carreiras sólidas, nossos concidadãos também continuarão a enfrentar dificuldades para manter suas famílias e educar seus filhos, o que deverá perdurar enquanto não houver perspectivas de reaquecimento da economia japonesa".

Folheto - ETB

Folheto Espaço do Trabalhador Brasileiro ETB CG Hamamatsu

Informações sobre o Espaço do Trabalhador Brasileiro podem ser obtidas aqui.

Programa Japonês de Estágio para Estrangeiros - Críticas

Matéria veiculada na imprensa local, no último dia 24 de fevereiro, destaca avaliações negativas referentes ao programa de estágios laborais para estrangeiros no Japão, "Technical Intern Training Program". A referida reportagem relembra o relatório sobre tráfico de pessoas do Departamento de Estado dos EUA, publicado em julho de 2015 (Tel 154/2015), ao observar que permanecem os problemas anteriormente reportados. As principais críticas fazem  referência aos abusos e às deduções salariais a que os imigrantes participantes do programa estariam muitas vezes sujeitos.

A matéria faz menção à deturpação que certas companhias japonesas fariam do programa de estágios. Ao invés da política em apreço ser utilizada para treinamento de estrangeiros de países em desenvolvimento visando habilidades a serem empregadas em seus países natais, muitas dessas empresas estariam utilizando-a como alternativa para contornar as restritivas regras para contratação de trabalhadores estrangeiros no país, de maneira a garantir mão-de-obra barata. Segundo especialistas citados, o governo de Shinzo Abe estaria se omitindo de uma verdadeira política de imigração ao privilegiar a ideia de extensão do referido
programa de estágios, de três para cinco anos. Ainda segundo o noticiário, um decreto regulatório estaria sendo preparado pela Dieta (Parlamento japonês), de maneira a coibir os
abusos.

A matéria cita diversos casos em que os trabalhadores estariam sendo explorados, seja no sub-pagamento de horas trabalhadas, abaixo do mínimo legal, ou por outros meios, como comprometimento com dívidas junto às empresas contratantes ou empreiteiras, relacionadas a altos custos com moradia ou a taxas para o serviço de colocação no mercado de trabalho japonês. Em certos casos seriam registrados inclusive a apreensão dos passaportes dos trabalhadores pelas empresas ou até mesmo o confinamento, prática que no passado já foi utilizada junto à comunidade brasileira. Nesse sentido, alguns dos casos registrados de trabalhadores estrangeiros participantes do programa de trainees representariam condições análogas à escravidão ou poderiam ser caracterizados como situações de tráfico de seres humanos, conforme definição do UNODC.

A situação torna-se ainda mais crítica se consideradas a precariedade na oferta de mão-de-obra japonesa, principalmente para serviços de baixa qualificação, os altos custos relacionados à contratação de japoneses e as dificuldades para se conseguir, de forma regular, mão-de-obra estrangeira. Tendo em vista a ausência de fiscalização adequada por parte do Governo, especialistas acreditam que a situação dos abusos tende a persistir.

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